Ano do galo

Um ano de muitas incertezas, mas de muitas possibilidades para transformar e evoluir

Tomio Kikuchi

O ano que se inicia será de incertezas, já que uma das características do galo, signo regente, é a hemeralogia, ou seja, não enxergar no escuro, gerando um desconhecimento da parte interna, oculta, de si mesmo.

O ano do galo será o ano da imaginação, de quem vê mais a parte aparente do que a realidade, o que vai aumentar muito as dúvidas e diminuir a percepção. A imaginação é a escolha mais fácil, preferida por aqueles que acreditam no poder do dinheiro para adquirir tudo, negociar tudo. Por isso, no ano que vem (2017), quem der asas à imaginação, não vai poder escapar da contaminação epidêmica monetária mundial. Mas, quem souber viver sem depender da facilidade, treinando na dificuldade, vai poder adquirir reflexo imediato e perceber a utilidade do dinheiro, sem valorizá-lo exageradamente.

O passar de ada ano vem mostrando evolução ou degeneração cronológica. Se tivermos um ano evolutivo em 2017, seria muito bom! mas, achar que estamos evoluindo com base nos avanços do nosso campo tecnológico-científico, é pura imaginação! Imaginariamente, sim, estaríamos evoluindo, mas não é o que está  realmente acontecendo; se usarmos a percepção, veremos que não estamos evoluindo nada!

Todo mundo está indo atrás da tecnologia, porque quer desenvolver, evoluir, sem muito esforço! As pessoas passam a vida aperfeiçoando-se profissionalmente, acumulando dinheiro para comprar bens ilusórios, facilmente acessíveis.

Charles Darwin o pai da teoria da evolução, provou que evoluir é uma difícil batalha em que só os mais adaptados  conseguem vencer, para reproduzir e perpetuar a espécie. Aqueles que não conseguem enfrentar dificuldades, degeneram e desaparecem. Darwin confirmou que todos os seres vivos evoluem quando enfrentam dificuldades, até mesmo a minhoca.

Quem procurar um processo fácil, bonito, gostoso, não vai evoluir, mas quem enfrentar o difícil processo de corrigir conscientemente, condicionadamente os erros, perceberá a possibilidade de desenvolver e fortalecerá a personalidade.

No próximo ano, o galo não vai deixar passar erro, pois é perfeccionista, detalhista e por isso tem dificuldade de perceber a inevitabilidade do erro, a inexistência de coisa perfeita e a possibilidade de errar e corrigir normalmente. Portanto, 2017 será perigoso para quem não reconhecer essa realidade maravilhosa, que poderá ser percebia e prevenida através do treinamento constante do erro e da correção.

Portanto, será preciso fortalecer a sensibilidade para adquirir percepção, fortalecer a palavra e dialogar mutuamente. Hoje em dia, falta estimulação cerebral para desenvolver  diálogo familiar, entre pais e filhos, porque todas as famílias estão envolvidas pela supervalorização do dinheiro.

Sem diálogo, não haverá confiabilidade mútua, então o ano que vem será o ano da inconfiabilidade, da falta de diálogo generalizada porque o sistema atual está invertido e as pessoas estão confiando mais do dinheiro do que em palavra!

“No princípio era o verbo”. Desde o inicio, nós somos controlados pela palavra – princípio, processo e fim são verbo. Verbalidade é cerebralidade, intelectualidade, mentalidade e espiritualidade; sem verbalidade, a palavra não funciona.

Cada vez mas será difícil dialogar mutuamente, o diálogo será unilateral, com as pessoas vivendo isoladamente, confinadas nos seus smatphones e aparelhos celulares, falando no whatsApp e na internet, porque não têm mais com quem dialogar a vida real, solitário, necessitando de quem os escute. E de quem os aprove, em tudo que fazem.

O ano do galo será, portanto, o ano da imaginação, da dúvida crescente, da falta de diálogo, da inconfiabilidade, um ano de muitas incertezas mas, também, de muita possibilidade para transformar e evoluir. Um ano  para perceber e aplicar cada dúvida e proporcionar abertura para o diálogo esclarecedor, fortalecedor da compreensão mútua. Entre pais e filhos, entre maridos e milhares, governados e e governantes!

Mas, o principal será treinar o diálogo consigo mesmo, para encontrar confiança própria – Autoconfiança. Desenvolver o diálogo interno é conhecer os limites de si mesmo, físicos, afetivos. É conhecer a si mesmo, o que você é. O diálogo nos humaniza. E assim, a evolução poderá prevalecer, ante qualquer ameaça. “O abandono da palavra vai nos custar caro” – conclusão a que chegaram oito ganhadores do Prêmio Nóbel reunidos há alguns anos no Rio de Janeiro, ou “Não existe, no mundo de hoje, ninguém mereça confiança ou que possamos compreender mutuamente ” (José Saramago, prêmio Nobel da literatura mundial).

Só o reconhecimento da potência da alavanca verbal onipotente poderá nos salvar.

Vivalavanca!

Se o reconhecimento da potência.

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